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Como eu vim parar aqui?

26 Agosto 2009 · 6 Comentários

relógios

Domingo, 3 horas da manhã, toca meu despertador. Hora de ir para a escola estudar. Logo se vê que não se trata de uma escola comum, e deve ser uma aula muito especial para me tirar da cama a esta hora, após poucas horas de sono. Será que mais alguém chegará a fazer tal loucura? Ao chegar na escola confirmo que não sou o único, mas que são muitos os que,  não sem algum esforço, abandonaram suas camas para fazer o mesmo. Mas ninguém está ali por obrigação, nem por fanatismo. Todos vieram por opção, muito bem dispostos e bem humorados, para fazer uma prática do Método DeRose.

No meio da prática, me surge uma questão incômoda: “como é que eu vim parar aqui, por que estou aqui fazendo algo que de fora parece tão absurdo? Quem se importa, estou feliz, estou aqui por opção própria então não preciso de explicações.” Foi o que pensei na hora, mas agora quero compartilhar um pouco do caminho que me levou a estar naquela sala, como instrutor e praticante desta filosofia.

Sempre fui um cara extremamente racional, procurando explicar tudo através da lógica, da razão, da observação. E em determinado momento da vida começaram a surgir aquelas questões existenciais, provavelmente naturais de todo ser humano: quem sou eu, o que devo fazer aqui, qual o sentido da minha vida? Algumas pessoas esquecem rapidamente estas questões, e continuam suas vidas sem se preocupar com elas, seguindo na direção dos ventos. Outras passam a vida buscando as respostas, através de religiões, estudos, acumulação de bens, viagens, etc. Eu com minha racionalidade segui num caminho intermediário. Defini que o sentido da minha vida seria o aprimoramento e a evolução constante, assim se esse não fosse realmente o propósito final provavelmente me levaria até ele.

O caminho escolhido era árduo, a idéia de evoluir é motivante, porém abstrata. Comecei buscando as disciplinas que mais me interessavam, lendo sobre os mais diversos assuntos, mas tudo isso sem muito empenho, os problemas diários que pareciam sem importância acabavam tomando a minha atenção, e o vento começava e me levar. Um dia descobri a ciência, através do fascinante livro Cosmos, de Carl Sagan, e decidi me dedicar à Física. Estudar as leis da natureza, o funcionamento do universo, isso parecia realmente importante. Mas algo ainda faltava. A abordagem acadêmica é limitada, não está interessada no indivíduo, e isso foi me desmotivando um pouco.

nata15Um dia, ouvindo falar sobre Yôga, e movido pela minha curiosidade, resolvi entrar numa simpática casa laranja da Universidade de Yôga, localizada na cidade de Londrina. Afinal eu tinha que descobrir o que era esse tal de Yôga.. uma moça alegre me mostrou a escola, falou um pouco sobre a filosofia, e ao final da conversa me presenteou com um pocket book, “Tudo sobre Yôga”. Qual não foi minha surpresa e alegria, quando ao ler aquele livro descobri que Yôga era uma filosofia que visava exatamente o aprimoramento pessoal, o auto-conhecimento, a ampliação da consciência. E este tipo de Yôga com que travei contato, SwáSthya Yôga, é de linhagem naturalista, não aceita misticismos, um Yôga técnico que se encaixava como uma luva ao meu propósito. No dia seguinte iniciei minhas práticas.

A história poderia ter acabado aí, melhorei tanto e em tantos aspectos desde então, que eu nem teria imaginado possível tamanho salto. Mas algo mais ainda me aguardava. Dedicar minha vida à evolução pessoal era interessante, mas parecia incompleto. Algum buraco ainda me incomodava lá no fundo, e demorei até descobrir qual era o elemento que faltava. Continuei me dedicando aos estudos desta tradição ancestral, ao mesmo tempo em que concluia meu curso de física. Fiz a formação profissional para me tornar instrutor de Yôga, como uma sequência natural. Trabalhando com isso poderia dedicar mais tempo ao que me interessava, e eu gostava muito daquilo afinal.

E foi só depois de me formar, durante um curso do prof. Ricardo Mallet, é que finalmente caiu a ficha. Não estou sozinho no mundo, de nada adiantaria me tornar a pessoa mais evoluida da face da Terra se todo o resto continuasse igual. O que nos faz pensar que o eu é mais importante que qualquer outra pessoa? De que vale um conhecimento guardado comigo? Morrera comigo e não servirá de nada. Compartilhar é fundamental, é a continuidade da evolução, é o que faltava ao meu propósito.

E são estes dois verbos que me inspiram, que movem montanhas através de mim, e que me fazem acordar 3 horas da manhã num domingo:

Yôgin

Evoluir e compartilhar.

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Pessoas identificadas, uma característica fundamental

22 Agosto 2009 · 2 Comentários

O resgate do Yôga autêntico

SwáSthya Yôga é o nome da sistematização do Yôga Antigo, Pré-Clássico, surgido a mais de 5.000 anos. Naquela antiga civilização a cultura vigente era muito diferente da atual e só podemos ter uma vaga idéia a partir dos resquícios das filosofias que surgiram naquela época, sobreviveram ao tempo e chegaram quase que milagrosamente aos nossos dias. São três as filosofias mais antigas da Índia que temos conhecimento: o Yôga, o meirelesSámkhya e o Tantra. Estas três não são contrárias umas às outras, mas possuem uma bela afinidade entre si. Sámkhya é uma filosofia teórica, com características naturalistas. Tantra é uma filosofia comportamental, de características matriarcais, sensoriais e desrepressoras. E o Yôga é uma filosofia prática, que visa o auto-conhecimento e que naquela época era embasado pelas duas outras filosofias citadas.julia

Com o passar do tempo estas filosofias foram se modificando, perdendo suas características originais. O Yôga, por exemplo, tem hoje a imagem errônea de ser uma coisa espiritual, mística, terapêutica e relaxante. Isto está muito distante de suas características autênticas, de ser uma filosofia que confere força, poder e energia a seus praticantes. E é isso que o SwáSthya Yôga vem resgatando, o Yôga como era nas origens, o autêntico Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga, forte, bonito e dinâmico.

Num ambiente completamente diferente, numa cultura patriarcal e guerreira, este resgate é um verdadeiro desafio e vem tomando praticamente toda a vida deste grande educador, DeRose, e de milhares de professores formados por ele, espalhados por todo o globo. Desde a metade do século XX, o Mestre DeRose tem se dedicado incansavelmente a este trabalho de resgate do Yôga Antigo, disseminando suas idéias dando cursos no mundo inteiro, num trabalho que se mostra como a verdadeira implantação de uma nova cultura.

heduanUma das condições para o sucesso deste trabalho é uma criteriosa seleção de público. É natural que inserido numa cultura diferente da original, a maioria das pessoas não esteja identificada com e nem consiga compreender a proposta do SwáSthya Yôga. É desejável, para não dizer essencial, que as pessoas que venham a fazer parte deste trabalho já tenham consigo determinadas características, como a capacidade de mudança de paradigmas, um alto nível de educação e cultura e outras mais.

Esta condição de trabalhar com o público selecionado é tão importante que foi sistematizada como uma das principais características do SwáSthya. Está escrito no Tratado de Yôga (1ª edição), a principal obra do Mestre DeRose, na página 101, a respeito da 4ª característica do Método:

Público Certo

É fundamental que se compreenda: para tratar-se realmente de SwáSthya Yôga não basta a fidelidade ao método. É preciso que as pessoas que praticam sejam o público certo. Caso contrário estarão tecnicamente exercendo o método preconizado, mas, ao fim e ao cabo, não estarão professando o Yôga Antigo. Seria o mesmo que dispor da tecnologia certa para produzir um determinado tipo de pão, mas querer fazê-lo com a farinha errada…”

marcosA seguir o próprio DeRose lembra que somos contra qualquer tipo de preconceito ou discriminação e que esta característica não tem nenhuma relação com isso. Trata-se apenas de especialização, de focar num determinado público para o qual este Yôga se encaixa perfeitamente, o público para o qual este Yôga foi feito, nada além disso. Na última frase DeRose faz menção à Parábola do Croissant, que nos serve muito bem para ilustrar a importância de se trabalhar desta forma. Você pode fazer um croissant minuciosamente de acordo com a receita, mas se o principal ingrediente não estiver certo, o resultado será decepcionante. E assim é com o SwáSthya Yôga, se as pessoas que praticam não forem as pessoas certas não adianta, pode até ser Yôga, mas não será o legítimo Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga.

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Mentalizações

14 Julho 2009 · Deixe um comentário

A ciência está aos poucos descobrindo o enorme poder que nossas mentes têm. O efeito placebo, por exemplo, já foi largamente observado e surge do próprio poder que a mente do paciente tem de gerar estados internos a partir de uma sugestão externa. Uma mente bem treinada pode gerar efeitos semelhantes sem o auxilio de uma sugestão externa, mas apenas visualizando em detalhes os efeitos que deseja conquistar.

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No Yôga, todas as técnicas são acompanhadas por mentalizações claras dos efeitos que se deseja conquistar com a técnica que está sendo executada. Como muitas vezes pode ser difícil determinar o que mentalizar, existem algumas mentalizações básicas. A mentalização de cores é muito utilizada, pois faz uso da frequência da cor escolhida para gerar seus efeitos. Cientificamente, não se sabe o funcionamento exato desta técnica, mas testes simples podem ser feitos para comprovar sua eficácia.

Sente-se numa posição bem confortável e coloque suas mãos sobre os joelhos, à mesma altura. “Visualize sua mão direita envolta e penetrada por luz alaranjada, quase vermelha; imagine os vasos sanguíneos dilatando-se e o sangue chegando, cada vez mais intensamente, para concentrar-se na sua mão direita. Persista na mentalização por uns cinco minutos…”¹ Após isso compare a temperatura das duas mãos.

Se você se concentrou devidamente com certeza sua mão direita estará mais quente, e até mais avermelhada que a esquerda. Com o SwáSthya Yôga essas mentalizações serão desenvolvidas a níveis bem mais avançados, podendo gerar efeitos no seu corpo e também fora dele.

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Flexibilidade e alongamento

3 Maio 2009 · Deixe um comentário

Como sabemos, o Yôga não é um tipo de exercício físico, e não serve para melhorar a flexibilidade (articular) e o alongamento (muscular) dos seus praticantes. Mas seus efeitos são tão notáveis nesta área que resolvi escrever um pouco sobre como funciona o ganho de flexibilidade no SwáSthya Yôga, e quais as diferenças para os treinos tradicionais da ginástica.

upavishtakonasana

Upavishta kônásana

Bem, para começar enfatizo novamente que o Yôga não é uma atividade física, ao menos não só isso. É por isso que é tão eficiente em várias áreas. Ele atua em todos os aspectos da vida do praticante, no corpo físico sim, mas também na parte emocional, mental e além, através de reeducação respiratória, mudanças na alimentação, e de todas as técnicas milenares presentes dentro de oito partes principais.

Nos treinamentos convencionais desenvolvidos pela educação física, para melhorar a flexibilidade você deve basicamente flexionar as articulações. Isso com determinados tempos de permanência, e inúmeras repetições, dependendo do tipo de treinamento. Estes métodos são eficientes dentro do campo a que se propõem a atuar, porém como veremos sua eficiência em conquistar flexibilidade é bem limitada se comparada ao Yôga.

No Yôga, um aumento da amplitude dos movimentos articulares  é uma conseqüência natural das práticas regulares, e seus avanços podem ser observados mesmo que não seja este o objetivo. Porém algumas vezes, como é o meu caso, deseja-se uma melhoria mais efetiva, e para isso é necessário intensificar determinadas técnicas. Assim, um treinamento baseado nas técnicas do Yôga poderia conter, como exemplo, os seguintes ítens:

  • Seleção alimentar, principalmente reduzindo sal e açúcar (a alimentação normal de um yôgin não tem restrição quanto a essas substâncias);
  • Intensificação de kriyás (técnicas de purificação orgânica);
  • Swádhyáya (auto-estudo) para detectar hábitos que possam estar gerando tensões desnecessárias;
  • Ashtánga Sádhana diário(prática básica do SwáSthya Yôga, que consiste em 8 partes);
  • Treinamento especial de ásanas que desenvolvem a flexibilidade.

Sendo que apenas neste último quesito é que vamos literalmente flexionar as articulações ou alongar a musculatura, conforme o caso. Mas não de forma aleatória. Utilizando diversos ásanas que atuem na região desejada, e executando segundo as características necessárias para que possamos chamar aquilo de ásana. Além disso utilizando as regras gerais de execução. (Leia os links para entender melhor do que estou falando). Resumindo, veja na tabela abaixo as principais diferenças entre os treinamentos:

tabela-flexibilidade1

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Da disciplina à liberdade

2 Abril 2009 · 3 Comentários

Amyr Klink ao concluir a travessia do Atlântico

Estes dois conceitos podem parecer a princípio muito distantes, até mesmo antagônicos. Entretanto na minha cabeça os dois não só podem, mas devem caminhar juntos. Uma frase que muito me agrada, do Mestre DeRose diz assim:

“A liberdade é o nosso bem mais precioso.
No caso de ter que confrontá-la com a disciplina,
se esta violentar aquela, opte pela liberdade.”

Ótimo, agora imagine se você não tiver que confrontar sua disciplina com a liberdade. Se você conseguir usar a sua disciplina para obter ainda mais liberdade. Desta forma, sendo disciplinado você estará exercendo sua liberdade! Você sabe, ter liberdade não é andar de carro conversível em alta velocidade, não é pular de para-quedas, e muito menos você fazer o que quiser.

Liberdade para mim é você ter capacidade e lucidez para escolher entre aquilo que você quer fazer, e aquilo que precisa ser feito. (leia também este post do Marco)

E isto exige auto-estudo, determinação e disciplina. É muito mais fácil seguir a multidão, fingir que faz as próprias escolhas, deixar-se levar sem nenhuma disciplina, perdendo desta forma cada vez mais sua liberdade. Não é clara esta relação entre as duas? No entando para que esta relação seja harmônica é preciso que a disciplina seja encarada da forma certa. Não com repressão, mas sim como uma opção, uma escolha consciente e direcionada para seus objetivos.

Abaixo reproduzo um trecho do livro Cem dias entre o céu e o mar, de Amyr Klink. No grande feito do autor (ele atravessou o Oceano Atlântico remando) criaram-se metáforas que podem ser aplicadas de forma exata nas nossas vidas. Foi este pequeno texto que motivou o post:

“Ao se caminhar para um objetivo, sobretudo um grande e distante objetivo, as menores coisas se tornam fundamentais. Uma hora perdida é uma hora perdida, e quando não se tem um rumo definido é muito fácil perder horas, dias ou anos, sem se dar conta disso. O mínimo progresso que conseguisse fazer era importante, ainda que fosse de centímetros apenas. Com o tempo eu acumularia todos os progressos e os centímetros se transformariam em quilômetros. E percebi como é simples conseguir isso. Nada de sacrifícios extremos ou esforços impossíveis. Nada de grandes sofrimentos. Ao contrário, bastava apenas o simples, minúsculo e indolor esforço de decidir. E ir em frente. Então, tudo se tornava mais fácil. Os problemas encontravam solução…”

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O incrível ‘mantra’ do Camarão Pistola

30 Março 2009 · 1 Comentário

Mantra é uma tradição hindu, que também faz parte do acervo de técnicas do SwáSthya Yôga. Consiste na vocalização de sons e ultra-sons, de forma que isto gera um efeito tanto psicológico quanto fisiológico no praticante. Existem muitos tipos de mantra, e muitas formas de vocalizá-los, mas o que nos interessa aqui é o lendário mantra para matar. Diz a lenda que existe um mantra, que se vocalizado da forma correta pode matar o ouvinte desavisado. Recentemente os biólogos encontraram um tipo de camarão que conhecia o lendário mantra. O safado está fazendo a festa, promovendo vários banquetes com as vítimas do seu mantra. Confira neste vídeo o exato momento em que ele usa sua técnica cruel para pegar um peixinho desprevenido:

*brincadeiras a parte, a dica foi do Professor Rogério Brant

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Astêya

16 Março 2009 · 2 Comentários

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Astêya é a terceira norma ética dos Yôgins, o terceiro yama, que significa não roubar. Estima-se que Pátañjali tenha a citado pela primeira vez, no Yôga Sutra, no século III a.C. Cerca de 1000 anos antes, Moisés escrevia os 10 mandamentos de Deus, cujo sétimo dizia algo semelhante. Não quero relacionar uma coisa com outra, acho que não tem absolutamente nada a ver, mas é curioso que em épocas remotas como estas já se sentia a necessidade de criar códigos ou leis deste tipo. Significa simplesmente que as pessoas já roubavam. Talvez a moral vigente na época de Moisés e Pátañjali não condenasse o roubo, e como as coisas tomassem proporções preocupantes dentro da sociedade eles tentavam desta forma amenizar a situação.

Entretanto para os Yôgins, mais do que um código moral, isto fazia (e faz) parte de um conjunto de técnicas utilizadas como ferramentas de evolução e autoconhecimento. Pode parecer nos dias de hoje, devido à faixa cultural em que os praticantes de Yôga se encaixam, que esta norma não tem muita utilidade. Ao contrário, ela se aplica de muitas formas, dentro de vários contextos.

Um exemplo atual é a pirataria. A cópia de músicas, filmes, livros, programas de computador, e outras coisas, sem a autorização do seu criador não seria uma forma de roubo? Cada um tem sua opinião, mas é fundamental pensar sobre isso.

Outro exemplo mais sutil é o cruel roubo de tempo. Provavelmente você tem muitas pessoas a sua volta querendo roubar seu tempo. E você também deve roubar o tempo de muita gente. Ao roubar o tempo de alguém estamos também tirando a sua liberdade, tirando sua oportunidade de fazer algo útil, normalmente por algum motivo egoísta e mesquinho. Não é brincadeira, é um roubo sério! Para melhorar isso o DeRose cita no seu livro Boas Maneiras no Yôga oito coisas que devemos evitar ao máximo:

  1. Bloquear
  2. Restringir
  3. Interferir
  4. Interromper
  5. Invadir
  6. Solicitar
  7. Cercear
  8. Sufocar

Se você faz muito alguma destas oito coisas pode ter certeza que está roubando coisas preciosas das outras pessoas. Se alguém faz frequentemente isso com você, repense suas relações com ele.

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SwáSthya, o Yôga que escolhi.

23 Fevereiro 2009 · 2 Comentários

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No Yôga, assim como na dança, na música, no Judô, na Capoeira, nas filosofias ocidentais e em quase todas as disciplinas, existem diversos métodos, linhagens e tendências. Como a definição de Yôga é extremamente geral, existe um número enorme de linhas com diversas interpretações. Nem todas são autênticas, e na verdade a maior parte do que se vê por aí são invencionices e hibridismos modernos, tão deturpados que não deveriam sequer ser chamados de Yôga.

Em meio a esta barafunda toda, considero-me um privilegiado por ter, logo de primeira, encontrado o Yôga com o qual me identifico mais, e aquele que considero o melhor Yôga do mundo. Não é arrogância, é minha opinião, e dou aqui alguns motivos:

Autenticidade

O nome completo do SwáSthya é Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga. Este nome carrega um importante significado, pois indica as raízes com as quais este Yôga se identifica. Estas raízes são as filosofias Tantra e Sámkhya, em suas escolas específicas. É de conhecimento comum que, juntamente com o Yôga, estas são as três filosofias mais antigas da Índia. Portanto é natural que o Yôga mais autêntico, mais antigo, seja este que tem afinidade com o Tantra e com o Sámkhya. Uma argumentação mais clara e detalhada pode ser encontrada no livro Yôga, Sámkhya e Tantra, do Mestre Sérgio Santos.

Completeza

É sem dúvida o método mais completo, com o maior número de técnicas codificadas. Basta comparar o Tratado de Yôga, do Mestre DeRose, com os livros de outras linhas. Apenas o número maior de técnicas não representa uma vantagem, mas é este grande número de exercícios e variações que permite que o iniciante vá evoluindo gradualmente até chegar às técnicas mais avançadas. Além disso a associação de diversas técnicas é que torna o método tão eficiente e poderoso.

Seriedade

Num mundo em que o dinheiro parece comprar tudo, é difícil encontrar alguém que se preocupe com a qualidade, a coerência, a transparência, a ética. O dinheiro é importante, claro, mas acima disso estão os princípios o sentimento de missão, a transmissão dos conhecimentos milenares para aqueles que realmente merecem. O profissionalismo de quem trabalha com SwáSthya é difícil de encontrar em outras áreas.

Amizade

Em meio a estas pessoas que também se identificaram com esta Cultura, encontrei pessoas com ideais e valores parecidos com os meus. Seres sensíveis, sinceros, discretos, alegres, dAmigos!inâmicos e livres que me fazem rever os conceitos a respeito das relações humanas. É muito gratificante conviver com estas pessoas e ao mesmo tempo poder buscar um propósito pessoal, que aliás se completa com esta convivência.

Bem, poderia enumerar aqui pelo menos 108 motivos pelos quais escolhi o SwáSthya, mas niguém teria saco de ler todos de uma vez. Ao poucos vou escrevendo mais sobre esta Cultura que está se desenvolvendo dentro e fora de mim.

* você conhece a fábula do sapato?

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O que é Yôga?

14 Janeiro 2009 · 3 Comentários

Não, você não sabe. Eu pratico e estudo esta filosofia a mais de três anos, e até hoje estou formando meus conceitos sobre o que é Yôga. Para responder com propriedade e rigor a esta pergunta você precisaria fazer um curso de alguns meses, anos, e ainda assim é possível que você não conseguisse entender perfeitamente.

Isto porque o Yôga, dentro de uma classificação ocidental, é considerado uma filosofia prática. Se é prático, você tem que praticar, vivenciar, para aí sim compreender. Se depois de ler este post você achar que sabe, lembre-se de que não sabe. Além de ser uma filosofia prática, o Yôga é extremamente abrangente, tem um acervo gigantesco de técnicas, que podem ser executadas de maneiras diferentes, com bases diferentes, o que faz com que existam muitas linhas diferentes e conflitantes. No entanto, Yôga não é nenhuma das suas técnicas, não é um tipo de exercício, não é meditação e muito menos relaxamento. Para completar o fuzuê existem diversas outras atividades baseadas no Yôga, algumas até com nomes parecidos, mas que definitivamente não são Yôga.

Swásthya Yôga - Foto de Leilane Lobo

Está muito confuso? Se consegui te mostrar que realmente você não sabe o que é Yôga então podemos tentar esclarecer algumas coisas, deixando de lado os velhos pré-conceitos. Vamos começar com a definição formal mais aceita no mundo, proposta pelo Mestre DeRose:

“Yôga é qualquer filosofia estritamente prática que conduza ao samádhi.”

Se agora você se perguntou – mas o que é samádhi? – começou a perceber a complicação. Samádhi é um estado expandido de consciência, só proporcionado pela prática do Yôga. Ou seja, só quem já atingiu o samádhi sabe o que é, pois é impossível de descrever. Assim sendo, você tem basicamente (no meu ponto de vista) três alternativas:

  • Simplesmente não acreditar nisso, ou não se importar, e continuar vivendo sem isso;
  • Acreditar que existe o tal de samádhi, colocá-lo como meta de vida, e concentrar todas as suas energias na prática do Yôga, buscando esta meta;
  • Praticar Yôga de forma a não se importar muito se vai se chegar ao samádhi, mas curtindo a trajetória, certo de que este tempo foi bem empregado, mesmo que no final não levasse a lugar nenhum.

Acho que adoto mais a última opção. E aí entra minha visão pessoal sobre o que é o Yôga. Eu pratico pois gosto, porque eu me sinto bem, e a cada dia me sinto melhor em todos os aspectos. Vejo o Yôga como uma ferramenta de auto-estudo, e que possibilita mudanças para melhorar. Abre olhos e rompe paradigmas, para que você possa optar pela melhor forma de fazer as coisas na sua vida. E isso atuando de forma muito abrangente, modificando por exemplo a forma de alimentação, a respiração, a movimentação,  a comunicação, o raciocínio, a aparência, as manias, etc. Costuma-se dizer que o Yôga ajuda em qualquer atividade que você deseje desempenhar com mais eficiência, apesar de não ser este o propósito da sua prática.

E vale sempre a pena reforçar: o Yôga não acalma, não é místico e não é zen. É uma atividade que só aumenta a energia, a força e a lucidez do praticante. Gostou? Então vá praticar, aí sim será Yôga.

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Intuição no mundo moderno

9 Dezembro 2008 · Deixe um comentário

(texto publicado originalmente por mim no blog Eu pratico Yôga)

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Talvez você nunca tenha sido levado a pensar sobre o significado deste termo, e ao contrário do que você poderia deduzir não é uma experiência mística (não envolve mistério) e tampouco é uma exclusividade feminina. Para ilustrar o significado usado aqui para este simples e poderoso fenômeno vamos a um exemplo banal do cotidiano: sorte de principiante.

Pegue um jogo ou uma atividade qualquer, digamos bilhar. Quem já não presenciou um completo novato, sem o mínimo treino, logo nas primeiras tacadas fazendo coisas inacreditáveis. Sem muito esforço ele encaçapa as bolas, e deixa os adversários temerosos. Mas não dura muito tempo. Assim que ele começa a usar o raciocínio para medir a força e a direção da bola, acabou a mágica, e seu jogo volta a ser de principiante.

Portanto ao meu ver não tem nada a ver com a sorte, pois o novato estava buscando de início meios para jogar sem usar a razão, apenas intuindo. Se ainda não compreendeu, vejamos formalmente:

intuição S. f. 1. Ato de ver, perceber, discernir; percepção clara e imediata. 2. Contemplação pela qual se atinge uma verdade de forma direta, sem utilizar razão. …

É importante perceber que esta definição difere do conceito de pressentimento, no qual se sente algo que não é percebido pelos sentidos, de forma extra-sensorial. Também não está relacionada com a percepção apurada desenvolvida pela prática constante de determinada coisa. O conceito de intuição pressupõe algo que está além da razão, e não aquém desta. Está se tornando, por exemplo, uma importante ferramenta para cientistas e pesquisadores, sendo considerada por alguns parte intrínseca do próprio método científico (leia isto).

Henry Poincaré, um grande matemático francês do século XIX, afirmou certa vez:

“C’est par la logique qu’on démontre, c’est par l’intuition qu’on invente.”

“É pela lógica que demonstramos, mas pela intuição que descobrimos.” Apesar desta crescente importância, o fenômeno da intuição ainda é pouco compreendido dentro do mundo acadêmico, e os poucos que se arriscaram nesta direção (Jung, por exemplo, cita diversas vezes a intuição em suas obras, mas os conceitos dele a este respeito ainda permanecem obscuros para mim) não chegaram muito longe. Por isso permanece para a maioria como uma coisa incompreensível, que se manifesta em flashes involuntários sem controle algum.

É neste ponto que nos voltamos ao Yôga, que já tem uma visão bem mais clara do assunto. Para o Sámkhya, filosofia que embasa o Yôga Antigo, a intuição pode ser acessada a partir do momento que se transpõe o ahamkára, princípio da egoidade. Em outras palavras, ultrapassa-se o plano mental, e atinge-se o plano intuicional. Dentro da prática do SwáSthya Yôga esta evolução ocorre de forma natural, principalmente através das técnicas de concentração e meditação. Um Yôgin (praticante de Yôga) consegue atingir um estado conhecido como intuição linear, no qual com a redução das dispersões mentais ele toma o controle dos fenômenos intuitivos. Para os iniciantes alguns efeitos como o aumento de consciência e lucidez se manifestam a partir das primeiras práticas.

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