Lapidatio

Entradas categorizadas em ‘Curiosidades’

Vocabulário de Mestre

14 Setembro 2009 · 15 Comentários

Certas pessoas têm o privilégio de serem criadas num ambiente cultural e intelectual bem acima da média, e o efeito disso é que estas pessoas são na maioria das vezes elegantes, educadas e refinadas, sem que precisem se esforçar para isso. O problema é que quase sempre a linguagem utilizada por elas é tão mais rica, que nós, seres em evolução, ficamos patinando para entender cada palavra do seu vasto vocabulário. Este é o caso do DeRose. Conforme suas próprias palavras:

“…a educação recebida da família em que nascera contribuiu para criar uma falta de diálogo entre mim e o mundo real.
Desde a infância, como era de se esperar, surgiram alguns problemas de ajustamento cultural. No colégio havia uma flagrante diferença de vocabulário entre o que aprendera no seio da família e a linguagem mais popular que escutava dos colegas e professores.
Esse fato acentuava a desagradável sensação de ser diferente. Somente depois dos trinta anos de idade, conheci um provérbio que diz: diferente não é gente. Lembrei-me da Revolução Francesa e de outras revoluções, e decidi ser gente, igual a todo o mundo. Simplifiquei o vocabulário, permiti-me alguns erros consagrados pelo uso coloquial e pronto: comecei a ser aceito por todos. O mimetismo funcionara razoavelmente. Apesar de persistir eventualmente o estigma de avis rara, daí para a frente as coisas melhoraram bastante.”

Mesmo com as simplificações de vocabulário, não é tarefa simples compreender suas palavras. Para aqueles estudiosos que, como eu, não têm um vocabulário tão vasto, estou criando este pequeno glossário que facilita um pouco as coisas.

livroGlossário

abnegação

“…com abnegação e sacrifício se preciso for, sem esperar agradecimentos, lucros ou vantagens de qualquer espécie, porém, dando de mim todo o meu empenho.” (Juramento do Yôgin)

Dic.: 1. Desinteresse, renúncia, desprendimento, devotamento. 2. Sacrifício voluntário do que há de egoístico nos desejos e tendências naturais do homem, em proveito de uma pessoa, causa ou idéia.

agruras

“…para suportar as agruras e vicissitudes do dia-a-dia.” (Menssagem de Amor)

Dic.: 1. Aspereza, escabrosidade. 2. Amargura, desgosto, dissabor.

alfarrábio

“…indicadas   pelos   antigos   alfarrábios,..” (O Incenso)

Dic.: 1. Livro antigo ou velho.

antolhos

“É preciso ler e viajar bastante para esgarçar os antolhos que espremem a nossa inteligência.” (Blog do DeRose)

Dic.: 1. Pala com que se resguardam contra a luz os doentes. 2. Peças de couro ou de outra matéria opaca que se colocam ao lado dos olhos das cavalgaduras, limitando-lhes o âmbito de visão, para que não se espantem.

# ter antolhos – ser limitado intelectualmente.

assaz

“…uma  tarefa  assaz  árdua.” (Uma Viagem aos Himalayas)

Dic.: 1. Bastante, suficientemente.

asseio

“…para  cuidar  do  asseio  de  teu  Templo Interior.” (Menssagem da Meditação)

Dic.: 1. Limpeza, higiene. 2. Perfeição, apuro, correção. 3. Esmero no vestir.

austeridade

“A austeridade de manter a fidelidade e lealdade ao seu Mestre…” (Código de Ética do Yôgin)

Dic.: 1. Qualidade ou caráter de auster. 2. Inteireza de caráter; severidade, rigor.

celibato

“O yama brahmáchárya não obriga o celibato nem a abstinência do sexo para os yôgins que seguirem a linha tântrica.” (Código de Ética do Yôgin)

Aqui uma curiosidade, celibato literalmente significa uma pessoa solteira, que pode ou não ter relações sexuais, e portando não precisa manter-se casta. Tanto é que em francês a palavra célibataire significa apenas solteiro.

deletério

“…sem  a  interferência deletéria dos egos,..” (Você Está Insatisfeito?)

Dic.: 1. Que destrói. 2. Nocivo à saude. 3. Corruptor.

diletante

“…e  então,  os  diletantes  yôgins,..” (O Despertar da Consciência Cósmica)

Dic.: 1. Amador ou apreciador apaixonado, especialmente por música.

diligente

???

Dic.: 1. Ativo, zeloso, aplicado. 2. Ligeiro, rápido.

Muitas vezes traduzimos o termo abhyása, do sânscrito, como prática diligente. Literalmente, abhyása designa a repetição de um exercício ou hábito.

espezinhar

“…espezinhe no chão a minha vida.” (Imprecação com os Salmos de David)

Dic.: 1. Calcar os pés; pisar. 2. Oprimir, tiranizar, vexar. 3. Tratar com desprezo ou desdém; humilhar, rebaixar.

estultícia

“…e nada  terás  a  divulgar,  somente  tua  vã  estultícia.” (Advertência aos Neófitos)

Dic.: 1. Qualidade ou procedimento de estulto, estultice.

Aliás, um estulto é: 1. Tolo, néscio, imbecil, insensato, inepto, estúpido.

ferino

“Se tua língua é ferina,..” (Vade Retro…)

Dic.: 1. Semelhante a fera. 2. Cruel.

fugaz

“Como pode ser tão prazeroso este fugaz hiato…” (Yôganidrá)

Dic.: 1. Que foge com rapidez, rápido, veloz, fugitivo.

ignóbil

“…só poderia ministrá-lo a preços ignóbeis quem tivesse uma outra forma de sustento…” (Código de Ética do Yôgin)

Dic.: 1. Sem nobreza; objeto, vil.

imprecação

“Imprecação com os Salmos de David” (texto com o mesmo título)

Dic.: 1. Ato de imprecar. 2. Rogo, súplica. 3. Praga, maldição.

E o que vem a ser imprecar? 1. Pedir (a um poder superior) que envie sobre alguém (males ou bens) 2. Pedir ou rogar com instância. 3. Rogar pragas a alguém. 4. Dizer pragas.

indelével

“…trazem  no  semblante  os  vincos  indeléveis  da  infelicidade  incurável,..” (Vamos, Criatura!)

Dic.: 1. Que não se pode delir. 2. Que não pode ser apagado, durável; indestrutível. 3. Que não será apagado da memória, inesquecível.

inefável

“…que teus olhos sorriam de inefável regozijo.” (Menssagem de Amor)

Dic.: 1. Que não se pode dizer por palavras, indizível. 2. Encantador, inebriante.

inescusável

“Inescusável é dirigir tal conduta contra um professor de Yôga.” (Código de Ética do Yôgin)

Dic.: 1. Obrigatório, que não se pode arrumar desculpas (escusas) para não fazer. 2. Indesculpável.

inexorável

“…uma lei que virá inexorável cobrar a quem deve…” (Advertência aos Neófitos)

Dic.: 1. Que não se move a rogos; não exorável, implacável, inabalável. 2. Austero, reto, rígido.

lassidão

“Quanto bem estar pode estar contido em alguns minutos de lassidão!” (Yôganidrá)

Dic.: 1. Qualidade ou estado da lasso. 2. Prostração de forças, prostração, cansaço, fadiga. 3. Tédio, fastio, enfastiamento.

lato sensu

“Deve ser entendido lato sensu.” (Código de Ética do Yôgin)

Quando queremos dizer que aquilo deve ter um sentido amplo.

mácula

“…ele é puro e sem mácula.” (Menssagem de Amor)

Dic.: 1. Nódoa, mancha. 2. Desdouro, deslustre, labéu. 3. Estigma, ferrete.

membrana pituitária

“…permitindo  imediata  absorção pela membrana pituitária.” (O Incenso)

Dic.: 1. Membrana que envolve as fossas nasais e desempenha funções olfativas.

orbe

“E este, o meu orbe.” (As Árvores e as Pedras)

Dic.: 1. Esfera, globo, redondeza. 2. Corpo celeste, planeta, esfera, astro. 3. Mundo. 4. Terra, país, nação, domínio.

opulência

“Contudo, a opulência é um roubo tácito.” (Código de Ética do Yôgin)

Dic.: 1. Abundância de riquezas. 2. Luxo, fausto. 3. Grandeza, esplendor.

pernicioso

“…pois são perniciosas e podem contagiar os outros…” (Um Tranco do Mestre)

Dic.: 1. Mau, nocivo, ruinoso.

preâmbulo

“O problema é o preêmbulo da solução.” (Sutras)

Dic.: 1. Fase preliminar. 2.  Relatório que antecede uma lei ou decreto 3. Parte preliminar em que se anuncia a promulgação de uma lei ou decreto.

preceptor

“…o testemunho dos Preceptores do Yôga Antigo.” (Juramento do Yôgin)

Dic.: 1. Aquele que ministra preceitos ou instruções; aio, mestre, mentor. 2. Professor encarregado da educação de crianças no lar.

primevo

“…o musgo primevo que lhes vestia,..” (As Árvores e as Pedras)

Dic.:1. Relativo aos tempos primitivos. 2. Antigo, primitivo.

sobrepujar

“…enquanro o Homo Malignus sobrepujou e sobreviveu.” (Fábula sobre a Síndrome de Caim)

Dic.: 1. Exceder em altura; sobrelevar. 2. Exceder em valor, importância, número, etc. 3. Vencer, ou levar vantagem. 4. Sobressair, destacar-se.

tácito

“Contudo, a opulência é um roubo tácito.” (Código de Ética do Yôgin)

Dic.: 1. Silencioso, cadado. 2. Implícito.

umbral

“Meu Minotauro foi o Senhor do Umbral.” (O Despertar da Consciência Cósmica)

Dic.: 1. Ombreira (de construções). 2. Limiar, entrada.

vade retro

(início do livro Menssagens)

É uma expressão latina que significa “vá para trás”, “recue”‘, “afaste-se”.

vanidade

“…longe de mim tal vanidade.” (Vade Retro…)

Dic.: 1. Caráter ou qualidade do que é vão; vaidade, estultícia.

vênia

“…com cuja vênia e com respeito invoquei,..” (Juramento do Yôgin)

Dic.: 1. Licença, permissão, consentimento. 2. Desculpa, absolvição, perdão. 3. Reverência com a cabeça em sinal de cortesia.

vicissitudes

“…para suportar as agruras e vicissitudes do dia-a-dia.” (Menssagem de Amor)

Dic.: 1. Mudança das coisas que se sucedem; alternativa, alternância. 2. Eventualidade, acaso, azar. 3. Revés. 4. Instabilidade das coisas; volubilidade.

votivo

“Coloca ao Oriente uma chama votiva…” (Menssagem da Meditação)

Dic.: 1. Relativo a voto. 2. Ofertado em cumprimento de voto ou promessa.

Você pode sugerir novos verbetes através dos comentários abaixo. As citações são todas do DeRose e entre parenteses está identificado o texto de onde ela foi retirado.

Categorias: Curiosidades · Metodo DeRose

Entre carnes e bananas.

29 Agosto 2009 · 3 Comentários

banana

É muito normal que as pessoas não compreendam o motivo pelo qual optei não comer carnes, de nenhum tipo, cor, ou cheiro. Acham que faço um esforço enorme, me segurando para não comer. Isso não é verdade, foi uma coisa muito natural, sem violência, e hoje após mais de 3 anos sem comer, não sinto a mínima falta, muito pelo contrário. Mas se você está curioso para saber por que eu parei de comer pedaços de animais, vou contar uma história fictícia:

Imagine que você começe a conviver com um grupo de pessoas, e nesse grupo ninguém come banana. Você fica muito curioso com o fato de eles não comerem bananas, pois elas estão em todo o lugar, e mesmo assim ninguém come. E começa a perguntar a todos o por quê de ninguém comer banana, e não lhe dão uma explicação convincente, só dizem que não comem porque não querem comer, optaram por isso. Você não entende mesmo, acha quase um absurdo, e tenta explicar para as pessoas que não há problema algum em comer esta fruta. Mas ninguém te ouve. Então você resolve testar, fica sem comer banana durante um mês. Seu paladar fica mais aguçado, seu intestino funciona melhor, e parece que você está até um pouco mais disposto que antes. Ora, assim sendo você percebe que a banana nem era tão necessária assim, e opta por não comer mais.

Certo dia um velho amigo te convida para jantar, e faz um belo assado de banana. Você explica que não come banana e pronto, ele vai se desculpar pela gafe, vai oferecer outra coisa e o problema está resolvido. Ele não vai ficar tentando te convencer de que você tem que comer banana, não vai ficar discursando sobre as proteínas da banana e de como elas são importantes. Ele não vai te oferecer uma torta com banana picadinha fingindo que não tem nada. Não vai te empurrar coisas com banana dizendo que é maçã, ou abacaxi. Não vai dizer que você é um chato por não comer banana, e que todas as pessoas que não comem banana são chatas. Não vai falar: “mas nem banana-branca você come? Mas banana-branca é diferente, nem dá para dizer que é banana.” E assim por diante. Você será muito normal e feliz se não  comer bananas.

Agora leia novamente, substituindo a palavra banana por carne. Todo o primeiro parágrafo é válido, e foi mais ou menos assim que ocorreu comigo. Eu não deixaria de comer bananas, é uma coisa de que gosto muito, mas com carnes não tive nenhum problema, parei de comer, gostei da experiência e julguei que aquilo era o melhor para mim.

Entretanto parar de comer carnes não é como parar de comer berinjela, chocolate ou banana. Se você substituir banana por carne no segundo parágrafo isso normalmente não será verdade, a não ser que seu amigo seja muito refinado. É muito mais provável que ele fique te atormentando durante muito tempo, simplesmente porque as pessoas estão tão absortas no seu sistema alimentar que não conseguem aceitar que existem outras formas de alimentação.

Esta é a parte mais difícil, a parte social. Se você opta por não comer alguma coisa, espera que seus amigos e principalmente sua família respeitem esta escolha. Quando as pessoas não respeitam sua opção precisamos pelo menos fazê-las entender que, assim como ela tem a liberdade de comer carnes, eu tenho a minha de não comer, não preciso de motivos para isso, ela que trate de respeitar.

Agora cuidado para não virar um vegetariano chato, não reclame, não se isole, e jamais tente convencer alguém de que sua opção é melhor que a dele. Assim viva em paz e alimente-se como melhor lhe aprouver!

Categorias: Culinária · Curiosidades · Divagações · Metodo DeRose
Etiquetado: , , , , , , ,

Mentalizações

14 Julho 2009 · Deixe um comentário

A ciência está aos poucos descobrindo o enorme poder que nossas mentes têm. O efeito placebo, por exemplo, já foi largamente observado e surge do próprio poder que a mente do paciente tem de gerar estados internos a partir de uma sugestão externa. Uma mente bem treinada pode gerar efeitos semelhantes sem o auxilio de uma sugestão externa, mas apenas visualizando em detalhes os efeitos que deseja conquistar.

mente-compu

No Yôga, todas as técnicas são acompanhadas por mentalizações claras dos efeitos que se deseja conquistar com a técnica que está sendo executada. Como muitas vezes pode ser difícil determinar o que mentalizar, existem algumas mentalizações básicas. A mentalização de cores é muito utilizada, pois faz uso da frequência da cor escolhida para gerar seus efeitos. Cientificamente, não se sabe o funcionamento exato desta técnica, mas testes simples podem ser feitos para comprovar sua eficácia.

Sente-se numa posição bem confortável e coloque suas mãos sobre os joelhos, à mesma altura. “Visualize sua mão direita envolta e penetrada por luz alaranjada, quase vermelha; imagine os vasos sanguíneos dilatando-se e o sangue chegando, cada vez mais intensamente, para concentrar-se na sua mão direita. Persista na mentalização por uns cinco minutos…”¹ Após isso compare a temperatura das duas mãos.

Se você se concentrou devidamente com certeza sua mão direita estará mais quente, e até mais avermelhada que a esquerda. Com o SwáSthya Yôga essas mentalizações serão desenvolvidas a níveis bem mais avançados, podendo gerar efeitos no seu corpo e também fora dele.

Categorias: Curiosidades · Física · Yôga
Etiquetado: , , , , , ,

Flexibilidade e alongamento

3 Maio 2009 · Deixe um comentário

Como sabemos, o Yôga não é um tipo de exercício físico, e não serve para melhorar a flexibilidade (articular) e o alongamento (muscular) dos seus praticantes. Mas seus efeitos são tão notáveis nesta área que resolvi escrever um pouco sobre como funciona o ganho de flexibilidade no SwáSthya Yôga, e quais as diferenças para os treinos tradicionais da ginástica.

upavishtakonasana

Upavishta kônásana

Bem, para começar enfatizo novamente que o Yôga não é uma atividade física, ao menos não só isso. É por isso que é tão eficiente em várias áreas. Ele atua em todos os aspectos da vida do praticante, no corpo físico sim, mas também na parte emocional, mental e além, através de reeducação respiratória, mudanças na alimentação, e de todas as técnicas milenares presentes dentro de oito partes principais.

Nos treinamentos convencionais desenvolvidos pela educação física, para melhorar a flexibilidade você deve basicamente flexionar as articulações. Isso com determinados tempos de permanência, e inúmeras repetições, dependendo do tipo de treinamento. Estes métodos são eficientes dentro do campo a que se propõem a atuar, porém como veremos sua eficiência em conquistar flexibilidade é bem limitada se comparada ao Yôga.

No Yôga, um aumento da amplitude dos movimentos articulares  é uma conseqüência natural das práticas regulares, e seus avanços podem ser observados mesmo que não seja este o objetivo. Porém algumas vezes, como é o meu caso, deseja-se uma melhoria mais efetiva, e para isso é necessário intensificar determinadas técnicas. Assim, um treinamento baseado nas técnicas do Yôga poderia conter, como exemplo, os seguintes ítens:

  • Seleção alimentar, principalmente reduzindo sal e açúcar (a alimentação normal de um yôgin não tem restrição quanto a essas substâncias);
  • Intensificação de kriyás (técnicas de purificação orgânica);
  • Swádhyáya (auto-estudo) para detectar hábitos que possam estar gerando tensões desnecessárias;
  • Ashtánga Sádhana diário(prática básica do SwáSthya Yôga, que consiste em 8 partes);
  • Treinamento especial de ásanas que desenvolvem a flexibilidade.

Sendo que apenas neste último quesito é que vamos literalmente flexionar as articulações ou alongar a musculatura, conforme o caso. Mas não de forma aleatória. Utilizando diversos ásanas que atuem na região desejada, e executando segundo as características necessárias para que possamos chamar aquilo de ásana. Além disso utilizando as regras gerais de execução. (Leia os links para entender melhor do que estou falando). Resumindo, veja na tabela abaixo as principais diferenças entre os treinamentos:

tabela-flexibilidade1

Categorias: Curiosidades · Yôga
Etiquetado: , , , , , ,

Da disciplina à liberdade

2 Abril 2009 · 3 Comentários

Amyr Klink ao concluir a travessia do Atlântico

Estes dois conceitos podem parecer a princípio muito distantes, até mesmo antagônicos. Entretanto na minha cabeça os dois não só podem, mas devem caminhar juntos. Uma frase que muito me agrada, do Mestre DeRose diz assim:

“A liberdade é o nosso bem mais precioso.
No caso de ter que confrontá-la com a disciplina,
se esta violentar aquela, opte pela liberdade.”

Ótimo, agora imagine se você não tiver que confrontar sua disciplina com a liberdade. Se você conseguir usar a sua disciplina para obter ainda mais liberdade. Desta forma, sendo disciplinado você estará exercendo sua liberdade! Você sabe, ter liberdade não é andar de carro conversível em alta velocidade, não é pular de para-quedas, e muito menos você fazer o que quiser.

Liberdade para mim é você ter capacidade e lucidez para escolher entre aquilo que você quer fazer, e aquilo que precisa ser feito. (leia também este post do Marco)

E isto exige auto-estudo, determinação e disciplina. É muito mais fácil seguir a multidão, fingir que faz as próprias escolhas, deixar-se levar sem nenhuma disciplina, perdendo desta forma cada vez mais sua liberdade. Não é clara esta relação entre as duas? No entando para que esta relação seja harmônica é preciso que a disciplina seja encarada da forma certa. Não com repressão, mas sim como uma opção, uma escolha consciente e direcionada para seus objetivos.

Abaixo reproduzo um trecho do livro Cem dias entre o céu e o mar, de Amyr Klink. No grande feito do autor (ele atravessou o Oceano Atlântico remando) criaram-se metáforas que podem ser aplicadas de forma exata nas nossas vidas. Foi este pequeno texto que motivou o post:

“Ao se caminhar para um objetivo, sobretudo um grande e distante objetivo, as menores coisas se tornam fundamentais. Uma hora perdida é uma hora perdida, e quando não se tem um rumo definido é muito fácil perder horas, dias ou anos, sem se dar conta disso. O mínimo progresso que conseguisse fazer era importante, ainda que fosse de centímetros apenas. Com o tempo eu acumularia todos os progressos e os centímetros se transformariam em quilômetros. E percebi como é simples conseguir isso. Nada de sacrifícios extremos ou esforços impossíveis. Nada de grandes sofrimentos. Ao contrário, bastava apenas o simples, minúsculo e indolor esforço de decidir. E ir em frente. Então, tudo se tornava mais fácil. Os problemas encontravam solução…”

Categorias: Curiosidades · Divagações · Yôga
Etiquetado: , , , , , , ,

O incrível ‘mantra’ do Camarão Pistola

30 Março 2009 · 1 Comentário

Mantra é uma tradição hindu, que também faz parte do acervo de técnicas do SwáSthya Yôga. Consiste na vocalização de sons e ultra-sons, de forma que isto gera um efeito tanto psicológico quanto fisiológico no praticante. Existem muitos tipos de mantra, e muitas formas de vocalizá-los, mas o que nos interessa aqui é o lendário mantra para matar. Diz a lenda que existe um mantra, que se vocalizado da forma correta pode matar o ouvinte desavisado. Recentemente os biólogos encontraram um tipo de camarão que conhecia o lendário mantra. O safado está fazendo a festa, promovendo vários banquetes com as vítimas do seu mantra. Confira neste vídeo o exato momento em que ele usa sua técnica cruel para pegar um peixinho desprevenido:

*brincadeiras a parte, a dica foi do Professor Rogério Brant

Categorias: Biologia · Curiosidades · Yôga
Etiquetado: , , ,

Memética

3 Março 2009 · 6 Comentários

Os memes são fruto da imaginação fértil de um cara chamado Richard Dawkins. Ele achou que assim como na biologia existe a genética, e os genes que são a pedra fundamental da vida, também na sociologia poderia existir a memética, ciência que estudaria os memes, bloco fundamental da sociedade. É uma teoria meio bizarra, e sinceramente não sei se cientificamente ela chega a ser útil, mas no fabuloso mundo leigo ela é muito rica e conta até com um certo prestígio.

ideia

Pense em memes como entidades independentes cujo único objetivo é a propagação. A grosso modo, são qualquer coisa que possa ser aprendida e retransmitida rapidamente. Por exemplo, idéias! Um meme bem adaptado se propaga rapidamente pela mente das pessoas e se espalha. Já um meme fora do seu hábitat logo desaparece. E por aí vai, as analogias com a biologia são muitas.

O que eu ainda não sabia é que com a popularização da memética, meme virou gíria para uma idéia ou informação transmitida rapidamente através da internet. Aliás, pelo que entendi, este post é um meme! O ser hospedeiro que me transmitiu este meme foi o Marco.

Bem blablablas a parte, o meme consiste em escrever 6 coisas aleatórias sobre mim. Então lá vai:

1. Funciono no modo racional, não me julgue insensível por isso.

2. Sou verde por dentro, juro!

3. Gosto de fazer coisas novas pelo simples prazer de ter tido a experiência de fazer aquilo.

4. Quanto estou muito entretido fazendo alguma coisa, tiro a lingua para fora (é genético!).

5. Um bom sebo é o meu paraíso de consumo.

6. Percebi que não faz sentido gostar muito de alguma coisa, e não passá-la adiante. Por isso escolhi ser professor, passar conhecimento adiante me faz feliz.

Como manda a tradição do meme, transmito-o agora a outros seis blogueiros, que são Alexandre, Mary, André, Cardoso, Nanci e Saramago (por que não?).

Categorias: Ciência · Curiosidades · Divagações

O sexo dos abacaxis

11 Fevereiro 2009 · 1 Comentário

Há muito tempo uma questão profunda me incomodava: como se planta abacaxi?

Árvore de abacaxi

Como não bastasse a minha curiosidade fútil, ao invés de pesquisar sobre o assunto eu apenas atormentava os biólogos à minha volta com minhas questões. As respostas eram sempre parecidas: planta-se a coroa do abacaxi, e um novo abacaxizeiro vai nascer. Acontece que nunca vi vender abacaxi sem coroa, logo não me parecia viável a abacaxicultura desta forma.

Na semana passada finalmente este mistério começou a ser desvendado. Com a valiosa ajuda de uma amiga descobri que um pé de abacaxi gera mudas à sua volta, e este é o meio mais comum de cultura. Estas mudas são replantadas em outros locais e dão origem a novos abacaxizeiros.

Mas isto não é tudo. Descobri que alguns abacaxis tem sementes. Devido a diversos fatores é raro encontrar sementes num abacaxi, e as poucas normalmente são estéreis. Porém se ele for cultivado sem o uso de agrotóxicos e outros produtos químicos, a polinização ocorre de forma mais natural e as semente se tornam mais comuns. Utilizando-se técnicas de polinização manual um abacaxi pode conter até 200 sementes!

Desta forma o problema está resolvido! E olhem que curioso, o abacaxi foi descoberto pelos europeus no dia do meu aniversário, mas quase 500 anos antes de eu nascer. Com as bananas a história é bem semelhante, evolutivamente as sementes foram desaparecendo mas sob certas condições elas aparecem.

Fica só faltando a história do sexo do limão Tahiti, mas isso deixo para outra hora.

Categorias: Biologia · Curiosidades · Divagações

Os países e seus nomes

20 Dezembro 2008 · 2 Comentários

Num destes muitos dias, de longas conversas inúteis e infrutíferas (mas muito divertidas), questionou-se por que raios traduzimos os nomes de países. Na verdade traduzimos não só nomes de países, mas de estados, de municípios, e pior, nomes de pessoas! Sempre me indignou chamar New York de Nova Iorque,  é tão mais feio que a cidade chega a se modificar conforme a denominação usada. Em se tratando de países, alguns nomes diferem de forma incompreensível. Por exemplo:

Alemanha – Deutschland
Armênia – Hayastan
China – Zhong Guo
Índia – Bhárat
Japão – Nihon

Arte islâmica do paquistãoContinuando a pesquisar, com minha curiosidade insaciável, enveredei pela etimologia dos nomes das nações. Descobri por exemplo que o sufixo -stan, bastante comum como em Uzbequisquistão, Turcomenistão, Afeganistão, Cazaquistão, etc, tem origem persa, e significa “terra”.

Aliás, a história do nome Paquistão (Pakistan) é uma das mais interessantes. O nome foi criado em 1933 pelo estudante islâmico Choudhary Rahmat Ali. Cada letra representa uma região: P – Punjab, A – Afghania, K – Kashmir, S – Sindh. Além disso a palavra Pak tem origem persa, e significa “puro”. Portanto, “Terra dos Puros” (e modestos). O nome foi adotado após a libertação do império britânico, em 1947.

A pronúncia Japão, e outros nomes ocidentais, provém da pronuncia incorreta dos chineses, para o nome original, Nihon ou Nippon. Venezuela significa pequena Veneza (parece óbvio não?). Madagascar significa algo como “Fim do mundo”. Portugal deriva do nome de um porto romano que se chamava Portus Cale (calle = “lindo” em grego), situado onde hoje é a cidade do Porto. Brasil, eu nunca havia pensado, está relacionado a brasas. Daí o nome da árvore, e do país.

Mas o que mais me impressionou mesmo foi descobrir que o nome dos famosos exploradores Cristóvão Colombo e Américo Vespucio, eram na verdade Cristoforo Colombo e Amerigo Vespucci! Se até os nomes mudam com tanta naturalidade a ponto de este detalhe nem ser mencionado, imagine o decorrer dos fatos como é distorcido. Só me faz cada vez mais adotar nas minhas pesquisas o axioma número um do SwáSthya Yôga: não acredite*!

*Ou seja duvide sempre de qualquer suposta verdade antes de confirmá-la. Se sua intenção é passá-la adiante, duvide ainda mais!

Categorias: Curiosidades · Divagações · História
Etiquetado: , , , ,

Ponto Turístico em Curitiba

24 Novembro 2008 · Deixe um comentário

Na madrugada de ontem surgiu um novo atrativo turístico no centro de Curitiba. Este pequeno ônibus biarticulado de aproximadamente 40 toneladas envolveu-se num acidente e literalmente entrou numa loja de motos que se localiza(va) na esquina. Não tomou conhecimento das vitrines, motos e das duas colunas de concreto que destruiu completamente. O ônibus permanece no local, pois é bem provável que parte do prédio desabe se ele for retirado. Provavelmente será retirado amanhã, mas enquanto isso é um dos pontos mais visitados e fotografados da cidade!

biarticulado

biarticulado2

Onde?

  • Esquina da Rua Visconde de Guarapuava com a Travessa da Lapa

Categorias: Curiosidades