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Os países e seus nomes

20 Dezembro 2008 · 2 Comentários

Num destes muitos dias, de longas conversas inúteis e infrutíferas (mas muito divertidas), questionou-se por que raios traduzimos os nomes de países. Na verdade traduzimos não só nomes de países, mas de estados, de municípios, e pior, nomes de pessoas! Sempre me indignou chamar New York de Nova Iorque,  é tão mais feio que a cidade chega a se modificar conforme a denominação usada. Em se tratando de países, alguns nomes diferem de forma incompreensível. Por exemplo:

Alemanha – Deutschland
Armênia – Hayastan
China – Zhong Guo
Índia – Bhárat
Japão – Nihon

Arte islâmica do paquistãoContinuando a pesquisar, com minha curiosidade insaciável, enveredei pela etimologia dos nomes das nações. Descobri por exemplo que o sufixo -stan, bastante comum como em Uzbequisquistão, Turcomenistão, Afeganistão, Cazaquistão, etc, tem origem persa, e significa “terra”.

Aliás, a história do nome Paquistão (Pakistan) é uma das mais interessantes. O nome foi criado em 1933 pelo estudante islâmico Choudhary Rahmat Ali. Cada letra representa uma região: P – Punjab, A – Afghania, K – Kashmir, S – Sindh. Além disso a palavra Pak tem origem persa, e significa “puro”. Portanto, “Terra dos Puros” (e modestos). O nome foi adotado após a libertação do império britânico, em 1947.

A pronúncia Japão, e outros nomes ocidentais, provém da pronuncia incorreta dos chineses, para o nome original, Nihon ou Nippon. Venezuela significa pequena Veneza (parece óbvio não?). Madagascar significa algo como “Fim do mundo”. Portugal deriva do nome de um porto romano que se chamava Portus Cale (calle = “lindo” em grego), situado onde hoje é a cidade do Porto. Brasil, eu nunca havia pensado, está relacionado a brasas. Daí o nome da árvore, e do país.

Mas o que mais me impressionou mesmo foi descobrir que o nome dos famosos exploradores Cristóvão Colombo e Américo Vespucio, eram na verdade Cristoforo Colombo e Amerigo Vespucci! Se até os nomes mudam com tanta naturalidade a ponto de este detalhe nem ser mencionado, imagine o decorrer dos fatos como é distorcido. Só me faz cada vez mais adotar nas minhas pesquisas o axioma número um do SwáSthya Yôga: não acredite*!

*Ou seja duvide sempre de qualquer suposta verdade antes de confirmá-la. Se sua intenção é passá-la adiante, duvide ainda mais!

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Uma civilização fora da história

5 Dezembro 2008 · 2 Comentários

Lendo o livro “O que Einstein disse ao seu cozinheiro”, me deparei com a seguinte afirmação:

“O mel foi durante muitos milênios praticamente o único adoçante conhecido pelos seres humanos. A cana-de-açucar já era cultivada na Índia há uns 3 mil anos, mas só chegou ao norte da África e à Europa meridional por volta do século VIII d.C.”

E isso me incentivou a escrever sobre este assunto. O autor dá a entender, de forma sutil, que os indivíduos que cultivavam cana-de-açúcar na Índia nem mereciam ser chamados de seres humanos. Ele talvez nem teve esta intenção, mas isso mostra o descaso que as pessoas tem com as partes da história que elas não conhecem.  Nós tendemos a acreditar na História que aprendemos na escola, achando que a história se limita àquilo. Os exemplos mais clássicos são repetidos até hoje, como a absurda história do ‘descobrimento’ do Brasil, da Guerra do Paraguay, da ‘independência’, e muitas outras histórias que mais parecem fábulas.Imagem de uma escultura drávida

Aprendemos a história da Europa, e a história dos Estados Unidos, mas pouco ou nada se fala da história da África, do Oriente Médio, do Japão, da China, da Índia, nem de nada fora do circuito europeu. Nem sequer da América Latina nos ensinam muita história.

Por isso quando descobri que existiu no sul da Ásia, uma civilização muito avançada, que teve seu auge a mais ou menos 4.500 anos atrás, antes mesmo da civilização egípcia, custei a acreditar. Como uma civilização com cidades planajadas, ruas largas, sistema de fornecimento de água para as casas, esgoto, casas de banho, e ainda com filosofias elaboradas, poderia passar em branco no ensino da História? E passa. Não pergunte ao seu professor de História, pois poderá ocorrer de ele nunca ter ouvido falar e vai ficar meio chato para ele. Mas pesquise!

Esta civilização é conhecida hoje como Civilização do Vale do Indo, ou Civilização Harappiana. Já é estudada a mais de um século, sendo que hoje existem mais de mil sítios arqueológicos que se concentram na Índia e no Paquistão, e se estendem até Afeganistão, Turquemenistão e Irã.

Foi provavelmente nesta civilização que a cana-de-açucar começou a ser cultivada. Coincidentemente, existem fortes evidências de que o Yôga tenha surgido em meio a esta cultura, por isso a história deste povo é de especial interesse para mim. Com certeza falarei mais sobre eles em breve.

Para saber mais:

Categorias: História · Yôga