Domingo, 3 horas da manhã, toca meu despertador. Hora de ir para a escola estudar. Logo se vê que não se trata de uma escola comum, e deve ser uma aula muito especial para me tirar da cama a esta hora, após poucas horas de sono. Será que mais alguém chegará a fazer tal loucura? Ao chegar na escola confirmo que não sou o único, mas que são muitos os que, não sem algum esforço, abandonaram suas camas para fazer o mesmo. Mas ninguém está ali por obrigação, nem por fanatismo. Todos vieram por opção, muito bem dispostos e bem humorados, para fazer uma prática do Método DeRose.
No meio da prática, me surge uma questão incômoda: “como é que eu vim parar aqui, por que estou aqui fazendo algo que de fora parece tão absurdo? Quem se importa, estou feliz, estou aqui por opção própria então não preciso de explicações.” Foi o que pensei na hora, mas agora quero compartilhar um pouco do caminho que me levou a estar naquela sala, como instrutor e praticante desta filosofia.
Sempre fui um cara extremamente racional, procurando explicar tudo através da lógica, da razão, da observação. E em determinado momento da vida começaram a surgir aquelas questões existenciais, provavelmente naturais de todo ser humano: quem sou eu, o que devo fazer aqui, qual o sentido da minha vida? Algumas pessoas esquecem rapidamente estas questões, e continuam suas vidas sem se preocupar com elas, seguindo na direção dos ventos. Outras passam a vida buscando as respostas, através de religiões, estudos, acumulação de bens, viagens, etc. Eu com minha racionalidade segui num caminho intermediário. Defini que o sentido da minha vida seria o aprimoramento e a evolução constante, assim se esse não fosse realmente o propósito final provavelmente me levaria até ele.
O caminho escolhido era árduo, a idéia de evoluir é motivante, porém abstrata. Comecei buscando as disciplinas que mais me interessavam, lendo sobre os mais diversos assuntos, mas tudo isso sem muito empenho, os problemas diários que pareciam sem importância acabavam tomando a minha atenção, e o vento começava e me levar. Um dia descobri a ciência, através do fascinante livro Cosmos, de Carl Sagan, e decidi me dedicar à Física. Estudar as leis da natureza, o funcionamento do universo, isso parecia realmente importante. Mas algo ainda faltava. A abordagem acadêmica é limitada, não está interessada no indivíduo, e isso foi me desmotivando um pouco.
Um dia, ouvindo falar sobre Yôga, e movido pela minha curiosidade, resolvi entrar numa simpática casa laranja da Universidade de Yôga, localizada na cidade de Londrina. Afinal eu tinha que descobrir o que era esse tal de Yôga.. uma moça alegre me mostrou a escola, falou um pouco sobre a filosofia, e ao final da conversa me presenteou com um pocket book, “Tudo sobre Yôga”. Qual não foi minha surpresa e alegria, quando ao ler aquele livro descobri que Yôga era uma filosofia que visava exatamente o aprimoramento pessoal, o auto-conhecimento, a ampliação da consciência. E este tipo de Yôga com que travei contato, SwáSthya Yôga, é de linhagem naturalista, não aceita misticismos, um Yôga técnico que se encaixava como uma luva ao meu propósito. No dia seguinte iniciei minhas práticas.
A história poderia ter acabado aí, melhorei tanto e em tantos aspectos desde então, que eu nem teria imaginado possível tamanho salto. Mas algo mais ainda me aguardava. Dedicar minha vida à evolução pessoal era interessante, mas parecia incompleto. Algum buraco ainda me incomodava lá no fundo, e demorei até descobrir qual era o elemento que faltava. Continuei me dedicando aos estudos desta tradição ancestral, ao mesmo tempo em que concluia meu curso de física. Fiz a formação profissional para me tornar instrutor de Yôga, como uma sequência natural. Trabalhando com isso poderia dedicar mais tempo ao que me interessava, e eu gostava muito daquilo afinal.
E foi só depois de me formar, durante um curso do prof. Ricardo Mallet, é que finalmente caiu a ficha. Não estou sozinho no mundo, de nada adiantaria me tornar a pessoa mais evoluida da face da Terra se todo o resto continuasse igual. O que nos faz pensar que o eu é mais importante que qualquer outra pessoa? De que vale um conhecimento guardado comigo? Morrera comigo e não servirá de nada. Compartilhar é fundamental, é a continuidade da evolução, é o que faltava ao meu propósito.
E são estes dois verbos que me inspiram, que movem montanhas através de mim, e que me fazem acordar 3 horas da manhã num domingo:
Evoluir e compartilhar.


6 respostas Até agora ↓
Alexandre Montagna // 26 Agosto 2009 às 18:09
Excelente, Lengert!
Francisco von Hartenthal // 26 Agosto 2009 às 20:50
Que legal, Felipe! Sempre gosto de saber essas histórias de como cada um chegou (e ficou!) no Método DeRose.
Marcos Freitas // 27 Agosto 2009 às 21:45
“Muito bem dispostos e bem humorados, para fazer uma prática do Método DeRose.”
É isso aí brother, gosto muito de algumas observações que faz.
mary // 20 Outubro 2009 às 22:07
Se eu soubesse que aquele livro mudaria sua vida.. teria um grande poder, não? Haha
Luiz // 26 Outubro 2009 às 3:31
Hey Felipe, lembra de mim? Estudamos juntos no Ensino Médio. O seu texto foi de encontro com a minha busca pessoal e a fase que estou encarando agora. Além do mais, descobri que você TAMBÉM está morando em Curitiba. PRECISAMOS conversar.
Entre em contato comigo pelo email, ok? zientek@bol.com.br
Um abraço
Ricardo Mallet // 2 Dezembro 2009 às 3:23
Grande amigo.
Gostei muito de saber que meu curso auxiliou você na sua busca.
Forte abraço e visite meu blog:
blog.ricardomallet.com