Lapidatio

Entradas do Janeiro 2009

Salve-se quem puder

21 Janeiro 2009 · 1 Comentário

silverball

Já faz algum tempo que a preocupação com o meio ambiente vem ganhando destaque na mídia, e no pensamento das pessoas. Para mim isso significa que está prestes a ocorrer uma quebra de paradigma. Estamos superando (começando a) aquela visão que colocava nossa espécie numa posição de dominadores e controladores da natureza. Porém é muito comum que, ainda ofuscados pelo paradigma anterior, caiamos num novo paradigma com as mesmas limitações anteriores.

Explico. Toda a atual preocupação com poluição, desmatamento, lixo, erosão, água, etc., faz com que as pessoas comecem a se posicionar de forma a defender a natureza, as florestas, os animais, o planeta. ‘Salve o planeta’ dizem! Não é recair no mesmo erro achar que podemos consertar alguma coisa, achar que sabemos salvar o planeta? Continuamos tentando controlar, este é o paradigma! A Terra não precisa ser salva, está muito bem sozinha. Ela já está aqui a mais de 4 bilhões de anos e nós, recém nascidos, achamos que sabemos alguma coisa sobre ela. Se sente muitas modificações ela reage com terremotos, vulcões, tempestades, secas, ondas gigantes, etc.

Nesta história temos que nos preocupar é com nós mesmos, o ser humano é que precisa ser salvo, não sabemos nos cuidar. Nós é que estamos cada vez mais doentes, e ainda continuamos encontrando, criando e inventando mais e mais doenças. Temos que deixar de ser tão arrogantes, achar que somos tão importantes,  e olhar para nós mesmos. Como somos ridículos, poeira de poeira cósmica. E olhar para nossas relações com o ambiente, e perceber que não estamos matando o planeta, ou as florestas. Estamos nos matando.

Temos uma incrível capacidade de adaptar as coisas à nossa maneira. Adaptemos então nós mesmos à maneira da natureza. Para mim é isso.

*inspirado por George Carlin

Categorias: Biologia · Divagações · Meio ambiente
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O que é Yôga?

14 Janeiro 2009 · 3 Comentários

Não, você não sabe. Eu pratico e estudo esta filosofia a mais de três anos, e até hoje estou formando meus conceitos sobre o que é Yôga. Para responder com propriedade e rigor a esta pergunta você precisaria fazer um curso de alguns meses, anos, e ainda assim é possível que você não conseguisse entender perfeitamente.

Isto porque o Yôga, dentro de uma classificação ocidental, é considerado uma filosofia prática. Se é prático, você tem que praticar, vivenciar, para aí sim compreender. Se depois de ler este post você achar que sabe, lembre-se de que não sabe. Além de ser uma filosofia prática, o Yôga é extremamente abrangente, tem um acervo gigantesco de técnicas, que podem ser executadas de maneiras diferentes, com bases diferentes, o que faz com que existam muitas linhas diferentes e conflitantes. No entanto, Yôga não é nenhuma das suas técnicas, não é um tipo de exercício, não é meditação e muito menos relaxamento. Para completar o fuzuê existem diversas outras atividades baseadas no Yôga, algumas até com nomes parecidos, mas que definitivamente não são Yôga.

Swásthya Yôga - Foto de Leilane Lobo

Está muito confuso? Se consegui te mostrar que realmente você não sabe o que é Yôga então podemos tentar esclarecer algumas coisas, deixando de lado os velhos pré-conceitos. Vamos começar com a definição formal mais aceita no mundo, proposta pelo Mestre DeRose:

“Yôga é qualquer filosofia estritamente prática que conduza ao samádhi.”

Se agora você se perguntou – mas o que é samádhi? – começou a perceber a complicação. Samádhi é um estado expandido de consciência, só proporcionado pela prática do Yôga. Ou seja, só quem já atingiu o samádhi sabe o que é, pois é impossível de descrever. Assim sendo, você tem basicamente (no meu ponto de vista) três alternativas:

  • Simplesmente não acreditar nisso, ou não se importar, e continuar vivendo sem isso;
  • Acreditar que existe o tal de samádhi, colocá-lo como meta de vida, e concentrar todas as suas energias na prática do Yôga, buscando esta meta;
  • Praticar Yôga de forma a não se importar muito se vai se chegar ao samádhi, mas curtindo a trajetória, certo de que este tempo foi bem empregado, mesmo que no final não levasse a lugar nenhum.

Acho que adoto mais a última opção. E aí entra minha visão pessoal sobre o que é o Yôga. Eu pratico pois gosto, porque eu me sinto bem, e a cada dia me sinto melhor em todos os aspectos. Vejo o Yôga como uma ferramenta de auto-estudo, e que possibilita mudanças para melhorar. Abre olhos e rompe paradigmas, para que você possa optar pela melhor forma de fazer as coisas na sua vida. E isso atuando de forma muito abrangente, modificando por exemplo a forma de alimentação, a respiração, a movimentação,  a comunicação, o raciocínio, a aparência, as manias, etc. Costuma-se dizer que o Yôga ajuda em qualquer atividade que você deseje desempenhar com mais eficiência, apesar de não ser este o propósito da sua prática.

E vale sempre a pena reforçar: o Yôga não acalma, não é místico e não é zen. É uma atividade que só aumenta a energia, a força e a lucidez do praticante. Gostou? Então vá praticar, aí sim será Yôga.

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