Chutney de Manga com Macadâmias

O chutney é um prato tipicamente indiano, que geralmente tem sabor adocicado e picante. As macadâmias adicionei por minha conta, para dar um toque especial e refinado ao prato. O melhor de tudo é que é simples e rápido de fazer:

  • 4 mangas não muito maduras (eu gosto da manga thommy, quase verde para ficar com um leve sabor azedo) cortada em tiras, sem casca e sem caroço
  • Alguns grãos de cardamomos inteiros
  • Um pedaço de canela em pau
  • Alguns cravos inteiros
  • Um pedaço pequeno de gengibre
  • Cerca de 400g de açúcar
  • Cerca de 200ml de vinagre
  • Um colherinha de sal
  • Uvas-passas brancas, a gosto
  • Macadâmias, a gosto
  • Um pouco de páprica picante para completar!

Cozinhe tudo por cerca de meia hora, até engrossar e escurecer um pouco, e está pronto! Esta mesma base pode ser utilizada para fazer muitos outros chutneys, como de abacaxi, de maçã, de melão, de abóbora, de tomate, de gengibre, etc.

Bom apetite!

Sobre a minha bicicleta dobrável (e sobre como me decepcionei com a Dahon)

[Atualizado em 4/10/2013, não deixe de ler a parte final do texto]

Recentemente adquiri uma Dahon – ECO³, uma dessas bicicletas dobráveis que me parece estão “na moda”. Como muita gente tem me perguntado sobre ela, alguns também com interesse em comprar uma dobrável, resolvi escrever um pequeno release.

Comprei esta bike por dois motivos principais:

  • Ela é extremamente portátil, me permitindo guardá-la facilmente dentro de casa e transportá-la dentro de um porta-malas e no metro.
  • Ela me pareceu muito confortável e ajustável.

Pontos positivos

  • Ela realmente é portátil e fácil de dobrar. São cerca de 10s e ela cabe no porta-malas da maioria dos carros de passeio;
  • É confortável para passear, e oferece 7 marchas para pequenos declives no terreno;
  • Tem uma ótima mobilidade para o trânsito de São Paulo (se você anda de bicicleta em São Paulo sabe do que eu estou falando! hehe);
  • Você pode levá-la no Metro a qualquer hora, sem precisar esperar até 20h30 (São Paulo).
  • Eu acho ela muito charmosa!

Visão da Dahon ECO³ dobrada. Observe o detalhe dos pedais que também dobram!

Pontos negativos

  • Ela só é adequada para pequenas distâncias, sem muitas subidas.
  • Pelo que eu ouvia da marca, que parece ser uma das melhores quando se fala de dobráveis, eu esperava peças de melhor qualidade. O guidão vive com um pequeno jogo, que até agora não consegui solucionar.
  • Ela é um pouco pesada para carregar,  subir uma escada por exemplo. Esperava que sendo menor fosse ainda mais leve.

Resumindo, se você procura uma bike portátil, com mobilidade, para pequenas distâncias (até 5 km), eu recomendo!

[Atualização] Tinha escrito o texto acima em 27 de agosto de 2012. Hoje, um ano depois, minha visão mudou bastante. Continuo gostando do conceito das bikes dobráveis mas me decepcionei bastante com a marca DAHON. Se você está pensando em comprar uma bicicleta dobrável não compre desta marca. A qualidade das peças é tão ruim que ela não tinha nem um ano de uso e diversas peças já tinham quebrado, como o trocador das marchas, o pedal e a roldana do macaquinho. Além disso o problema com a barra que suporta o guidão (handlepost) continuou e se agravou. A pequena folga virou uma folga maior pois a dobradiça acabou enferrujando e cedendo depois de um tempo.  Mais algum tempo de uso e a própria solda começou a quebrar.

Se não bastasse isso todas as minhas reclamações no distribuidor da Dahon aqui no Brasil e no próprio site da Dahon foram em vão. Segundo eles o fato de a bicicleta ter sido comprada fora do Brasil invalida a garantia da bicicleta. Detalhe que segundo eles a garantia desta peça que está quebrada seria vitalícia.

E a história ainda piora! Com a necessidade de trocar a peça por questões de segurança, sem poder acionar a garantia, decidi pagar para trocá-la. Quem disse que eu consegui? Como o sistema da dobradiça era ruim a Dahon parou de fabricar esta peça e mudou os padrões de encaixe do quadro. O resultado é que não encontrei até agora nenhum distribuidor no Brasil e nos Estados Unidos que tenha uma peça compatível para fornecer. No Estados Unidos eles sugeriram que eu buscasse na Dahon Europa…

Além disso também não consegui encontrar o pedal dobrável para trocar e acabei tendo que colocar um normal. Também descobri que se tiver algum problema com os aros ou com os cubos terei problemas para encontrar esta peças por aqui pois eles não seguem os padrões normais de raiação e largura do cubo.

Enfim, se estiver buscando uma dobrável pesquise melhor, mas NÃO opte por uma Dahon.

Como preparar massa fresca sem frescura!

Eu não sou muito adepto de receitas. Gosto de testar, experimentar, criar! Na minha opinião quando você fica muito preso à receita você perde a chance de fazer algo delicioso e não aprende a cozinhar de verdade. Você apenas copia, repete e a chance de dar tudo errado por incrível que pareça é muito maior!

Para se opor à minha forma de pensar estão milhares de pessoas que adoram uma receita.. Então eu acabo cedendo às pressões e passo minhas receitas. Mas de uma forma um pouco diferente, mais livre.

massa fresca italiana

Massa caseira fresca de macarrão

Foi a primeira vez que fiz massa de macarrão dessa forma.. Já tinha feito massas de nhoque, de pastel, de panqueca, de crepe, de pão, de pizza, de mil coisas, então decidi aprender a fazer a de macarrão também. Descobri que não é difícil de acertar o ponto da massa, desde que sejam seguidos certos princípios.
Os ingredientes básicos são farinha e ovos*. A farinha pode ser só a normal, ou a farinha de semolina, que é mais nobre e deixa a massa mais leve. No meu caso eu misturei as duas, meio a meio. Então para cada 100g de farinha coloque um ovo. O número de ovos deve ser igual ao número de pessoas que vai comer (só para dar uma ideia do rendimento da massa) Além disso a massa pode levar um pouco de óleo para ficar mais elástica, sal e outros temperos para deixar a massa mais saborosa e colorida. Esta experimentações ficam por sua conta!

Misture tudo, primeiro com a mão, até formar uma massa homogênea. Tenha sempre farinha à mão (literalmente) para que a massa não fique grudando. Depois separe um pedaço desta massa e comece a esticar com o rolo. Sempre colocando farinha para não grudar. Tente esticar em diversos sentidos até que ela fique bem fina. Tem que fazer força mesmo! Depois que ela estiver na espessura desejada (ela fica levemente translúcida) você pode cortar da forma que quiser. Ou mesmo não cortar e usar para fazer lasanha. Para deixar a massa em repouso mais farinha para não grudar! Faça isso com toda a massa, aos poucos você vai entender porque as nonnas tem aqueles braços fortes. Se for deixá-la muito tempo parada recomendo colocar na geladeira.
Finalmente cozinhe como um macarrão tradicional, mas por menos tempo pois a massa fresca cozinha mais rápido. E pronto!

Se você for cozinhar depois compartilhe a sua experência, eu adoro saber como as pessoas se saem na cozinha. E se tiver dúvidas, inseguranças, fale comigo. Terei o maior prazer em ajudá-lo a descobrir seus talentos culinários!

*Tentei fazer macarrão sem ovos e não obtive sucesso até agora…

Vocabulário de Mestre

Certas pessoas têm o privilégio de serem criadas num ambiente cultural e intelectual bem acima da média, e o efeito disso é que estas pessoas são na maioria das vezes elegantes, educadas e refinadas, sem que precisem se esforçar para isso. O problema é que quase sempre a linguagem utilizada por elas é tão mais rica, que nós, seres em evolução, ficamos patinando para entender cada palavra do seu vasto vocabulário. Este é o caso do DeRose. Conforme suas próprias palavras:

“…a educação recebida da família em que nascera contribuiu para criar uma falta de diálogo entre mim e o mundo real.
Desde a infância, como era de se esperar, surgiram alguns problemas de ajustamento cultural. No colégio havia uma flagrante diferença de vocabulário entre o que aprendera no seio da família e a linguagem mais popular que escutava dos colegas e professores.
Esse fato acentuava a desagradável sensação de ser diferente. Somente depois dos trinta anos de idade, conheci um provérbio que diz: diferente não é gente. Lembrei-me da Revolução Francesa e de outras revoluções, e decidi ser gente, igual a todo o mundo. Simplifiquei o vocabulário, permiti-me alguns erros consagrados pelo uso coloquial e pronto: comecei a ser aceito por todos. O mimetismo funcionara razoavelmente. Apesar de persistir eventualmente o estigma de avis rara, daí para a frente as coisas melhoraram bastante.”

Mesmo com as simplificações de vocabulário, não é tarefa simples compreender suas palavras. Para aqueles estudiosos que, como eu, não têm um vocabulário tão vasto, estou criando este pequeno glossário que facilita um pouco as coisas.

livroGlossário

abnegação

“…com abnegação e sacrifício se preciso for, sem esperar agradecimentos, lucros ou vantagens de qualquer espécie, porém, dando de mim todo o meu empenho.” (Juramento do Yôgin)

Dic.: 1. Desinteresse, renúncia, desprendimento, devotamento. 2. Sacrifício voluntário do que há de egoístico nos desejos e tendências naturais do homem, em proveito de uma pessoa, causa ou idéia.

agruras

“…para suportar as agruras e vicissitudes do dia-a-dia.” (Menssagem de Amor)

Dic.: 1. Aspereza, escabrosidade. 2. Amargura, desgosto, dissabor.

alfarrábio

“…indicadas   pelos   antigos   alfarrábios,..” (O Incenso)

Dic.: 1. Livro antigo ou velho.

antolhos

“É preciso ler e viajar bastante para esgarçar os antolhos que espremem a nossa inteligência.” (Blog do DeRose)

Dic.: 1. Pala com que se resguardam contra a luz os doentes. 2. Peças de couro ou de outra matéria opaca que se colocam ao lado dos olhos das cavalgaduras, limitando-lhes o âmbito de visão, para que não se espantem.

# ter antolhos – ser limitado intelectualmente.

assaz

“…uma  tarefa  assaz  árdua.” (Uma Viagem aos Himalayas)

Dic.: 1. Bastante, suficientemente.

asseio

“…para  cuidar  do  asseio  de  teu  Templo Interior.” (Menssagem da Meditação)

Dic.: 1. Limpeza, higiene. 2. Perfeição, apuro, correção. 3. Esmero no vestir.

austeridade

“A austeridade de manter a fidelidade e lealdade ao seu Mestre…” (Código de Ética do Yôgin)

Dic.: 1. Qualidade ou caráter de auster. 2. Inteireza de caráter; severidade, rigor.

celibato

“O yama brahmáchárya não obriga o celibato nem a abstinência do sexo para os yôgins que seguirem a linha tântrica.” (Código de Ética do Yôgin)

Aqui uma curiosidade, celibato literalmente significa uma pessoa solteira, que pode ou não ter relações sexuais, e portando não precisa manter-se casta. Tanto é que em francês a palavra célibataire significa apenas solteiro.

deletério

“…sem  a  interferência deletéria dos egos,..” (Você Está Insatisfeito?)

Dic.: 1. Que destrói. 2. Nocivo à saude. 3. Corruptor.

diletante

“…e  então,  os  diletantes  yôgins,..” (O Despertar da Consciência Cósmica)

Dic.: 1. Amador ou apreciador apaixonado, especialmente por música.

diligente

???

Dic.: 1. Ativo, zeloso, aplicado. 2. Ligeiro, rápido.

Muitas vezes traduzimos o termo abhyása, do sânscrito, como prática diligente. Literalmente, abhyása designa a repetição de um exercício ou hábito.

espezinhar

“…espezinhe no chão a minha vida.” (Imprecação com os Salmos de David)

Dic.: 1. Calcar os pés; pisar. 2. Oprimir, tiranizar, vexar. 3. Tratar com desprezo ou desdém; humilhar, rebaixar.

estultícia

“…e nada  terás  a  divulgar,  somente  tua  vã  estultícia.” (Advertência aos Neófitos)

Dic.: 1. Qualidade ou procedimento de estulto, estultice.

Aliás, um estulto é: 1. Tolo, néscio, imbecil, insensato, inepto, estúpido.

ferino

“Se tua língua é ferina,..” (Vade Retro…)

Dic.: 1. Semelhante a fera. 2. Cruel.

fugaz

“Como pode ser tão prazeroso este fugaz hiato…” (Yôganidrá)

Dic.: 1. Que foge com rapidez, rápido, veloz, fugitivo.

ignóbil

“…só poderia ministrá-lo a preços ignóbeis quem tivesse uma outra forma de sustento…” (Código de Ética do Yôgin)

Dic.: 1. Sem nobreza; objeto, vil.

imprecação

“Imprecação com os Salmos de David” (texto com o mesmo título)

Dic.: 1. Ato de imprecar. 2. Rogo, súplica. 3. Praga, maldição.

E o que vem a ser imprecar? 1. Pedir (a um poder superior) que envie sobre alguém (males ou bens) 2. Pedir ou rogar com instância. 3. Rogar pragas a alguém. 4. Dizer pragas.

indelével

“…trazem  no  semblante  os  vincos  indeléveis  da  infelicidade  incurável,..” (Vamos, Criatura!)

Dic.: 1. Que não se pode delir. 2. Que não pode ser apagado, durável; indestrutível. 3. Que não será apagado da memória, inesquecível.

inefável

“…que teus olhos sorriam de inefável regozijo.” (Menssagem de Amor)

Dic.: 1. Que não se pode dizer por palavras, indizível. 2. Encantador, inebriante.

inescusável

“Inescusável é dirigir tal conduta contra um professor de Yôga.” (Código de Ética do Yôgin)

Dic.: 1. Obrigatório, que não se pode arrumar desculpas (escusas) para não fazer. 2. Indesculpável.

inexorável

“…uma lei que virá inexorável cobrar a quem deve…” (Advertência aos Neófitos)

Dic.: 1. Que não se move a rogos; não exorável, implacável, inabalável. 2. Austero, reto, rígido.

lassidão

“Quanto bem estar pode estar contido em alguns minutos de lassidão!” (Yôganidrá)

Dic.: 1. Qualidade ou estado da lasso. 2. Prostração de forças, prostração, cansaço, fadiga. 3. Tédio, fastio, enfastiamento.

lato sensu

“Deve ser entendido lato sensu.” (Código de Ética do Yôgin)

Quando queremos dizer que aquilo deve ter um sentido amplo.

mácula

“…ele é puro e sem mácula.” (Menssagem de Amor)

Dic.: 1. Nódoa, mancha. 2. Desdouro, deslustre, labéu. 3. Estigma, ferrete.

membrana pituitária

“…permitindo  imediata  absorção pela membrana pituitária.” (O Incenso)

Dic.: 1. Membrana que envolve as fossas nasais e desempenha funções olfativas.

orbe

“E este, o meu orbe.” (As Árvores e as Pedras)

Dic.: 1. Esfera, globo, redondeza. 2. Corpo celeste, planeta, esfera, astro. 3. Mundo. 4. Terra, país, nação, domínio.

opulência

“Contudo, a opulência é um roubo tácito.” (Código de Ética do Yôgin)

Dic.: 1. Abundância de riquezas. 2. Luxo, fausto. 3. Grandeza, esplendor.

pernicioso

“…pois são perniciosas e podem contagiar os outros…” (Um Tranco do Mestre)

Dic.: 1. Mau, nocivo, ruinoso.

preâmbulo

“O problema é o preêmbulo da solução.” (Sutras)

Dic.: 1. Fase preliminar. 2.  Relatório que antecede uma lei ou decreto 3. Parte preliminar em que se anuncia a promulgação de uma lei ou decreto.

preceptor

“…o testemunho dos Preceptores do Yôga Antigo.” (Juramento do Yôgin)

Dic.: 1. Aquele que ministra preceitos ou instruções; aio, mestre, mentor. 2. Professor encarregado da educação de crianças no lar.

primevo

“…o musgo primevo que lhes vestia,..” (As Árvores e as Pedras)

Dic.:1. Relativo aos tempos primitivos. 2. Antigo, primitivo.

sobrepujar

“…enquanro o Homo Malignus sobrepujou e sobreviveu.” (Fábula sobre a Síndrome de Caim)

Dic.: 1. Exceder em altura; sobrelevar. 2. Exceder em valor, importância, número, etc. 3. Vencer, ou levar vantagem. 4. Sobressair, destacar-se.

tácito

“Contudo, a opulência é um roubo tácito.” (Código de Ética do Yôgin)

Dic.: 1. Silencioso, cadado. 2. Implícito.

umbral

“Meu Minotauro foi o Senhor do Umbral.” (O Despertar da Consciência Cósmica)

Dic.: 1. Ombreira (de construções). 2. Limiar, entrada.

vade retro

(início do livro Menssagens)

É uma expressão latina que significa “vá para trás”, “recue”‘, “afaste-se”.

vanidade

“…longe de mim tal vanidade.” (Vade Retro…)

Dic.: 1. Caráter ou qualidade do que é vão; vaidade, estultícia.

vênia

“…com cuja vênia e com respeito invoquei,..” (Juramento do Yôgin)

Dic.: 1. Licença, permissão, consentimento. 2. Desculpa, absolvição, perdão. 3. Reverência com a cabeça em sinal de cortesia.

vicissitudes

“…para suportar as agruras e vicissitudes do dia-a-dia.” (Menssagem de Amor)

Dic.: 1. Mudança das coisas que se sucedem; alternativa, alternância. 2. Eventualidade, acaso, azar. 3. Revés. 4. Instabilidade das coisas; volubilidade.

votivo

“Coloca ao Oriente uma chama votiva…” (Menssagem da Meditação)

Dic.: 1. Relativo a voto. 2. Ofertado em cumprimento de voto ou promessa.

Você pode sugerir novos verbetes através dos comentários abaixo. As citações são todas do DeRose e entre parenteses está identificado o texto de onde ela foi retirado.

Entre carnes e bananas.

banana

É muito normal que as pessoas não compreendam o motivo pelo qual optei não comer carnes, de nenhum tipo, cor, ou cheiro. Acham que faço um esforço enorme, me segurando para não comer. Isso não é verdade, foi uma coisa muito natural, sem violência, e hoje após mais de 3 anos sem comer, não sinto a mínima falta, muito pelo contrário. Mas se você está curioso para saber por que eu parei de comer pedaços de animais, vou contar uma história fictícia:

Imagine que você começe a conviver com um grupo de pessoas, e nesse grupo ninguém come banana. Você fica muito curioso com o fato de eles não comerem bananas, pois elas estão em todo o lugar, e mesmo assim ninguém come. E começa a perguntar a todos o por quê de ninguém comer banana, e não lhe dão uma explicação convincente, só dizem que não comem porque não querem comer, optaram por isso. Você não entende mesmo, acha quase um absurdo, e tenta explicar para as pessoas que não há problema algum em comer esta fruta. Mas ninguém te ouve. Então você resolve testar, fica sem comer banana durante um mês. Seu paladar fica mais aguçado, seu intestino funciona melhor, e parece que você está até um pouco mais disposto que antes. Ora, assim sendo você percebe que a banana nem era tão necessária assim, e opta por não comer mais.

Certo dia um velho amigo te convida para jantar, e faz um belo assado de banana. Você explica que não come banana e pronto, ele vai se desculpar pela gafe, vai oferecer outra coisa e o problema está resolvido. Ele não vai ficar tentando te convencer de que você tem que comer banana, não vai ficar discursando sobre as proteínas da banana e de como elas são importantes. Ele não vai te oferecer uma torta com banana picadinha fingindo que não tem nada. Não vai te empurrar coisas com banana dizendo que é maçã, ou abacaxi. Não vai dizer que você é um chato por não comer banana, e que todas as pessoas que não comem banana são chatas. Não vai falar: “mas nem banana-branca você come? Mas banana-branca é diferente, nem dá para dizer que é banana.” E assim por diante. Você será muito normal e feliz se não  comer bananas.

Agora leia novamente, substituindo a palavra banana por carne. Todo o primeiro parágrafo é válido, e foi mais ou menos assim que ocorreu comigo. Eu não deixaria de comer bananas, é uma coisa de que gosto muito, mas com carnes não tive nenhum problema, parei de comer, gostei da experiência e julguei que aquilo era o melhor para mim.

Entretanto parar de comer carnes não é como parar de comer berinjela, chocolate ou banana. Se você substituir banana por carne no segundo parágrafo isso normalmente não será verdade, a não ser que seu amigo seja muito refinado. É muito mais provável que ele fique te atormentando durante muito tempo, simplesmente porque as pessoas estão tão absortas no seu sistema alimentar que não conseguem aceitar que existem outras formas de alimentação.

Esta é a parte mais difícil, a parte social. Se você opta por não comer alguma coisa, espera que seus amigos e principalmente sua família respeitem esta escolha. Quando as pessoas não respeitam sua opção precisamos pelo menos fazê-las entender que, assim como ela tem a liberdade de comer carnes, eu tenho a minha de não comer, não preciso de motivos para isso, ela que trate de respeitar.

Agora cuidado para não virar um vegetariano chato, não reclame, não se isole, e jamais tente convencer alguém de que sua opção é melhor que a dele. Assim viva em paz e alimente-se como melhor lhe aprouver!

Como eu vim parar aqui?

relógios

Domingo, 3 horas da manhã, toca meu despertador. Hora de ir para a escola estudar. Logo se vê que não se trata de uma escola comum, e deve ser uma aula muito especial para me tirar da cama a esta hora, após poucas horas de sono. Será que mais alguém chegará a fazer tal loucura? Ao chegar na escola confirmo que não sou o único, mas que são muitos os que,  não sem algum esforço, abandonaram suas camas para fazer o mesmo. Mas ninguém está ali por obrigação, nem por fanatismo. Todos vieram por opção, muito bem dispostos e bem humorados, para fazer uma prática do Método DeRose.

No meio da prática, me surge uma questão incômoda: “como é que eu vim parar aqui, por que estou aqui fazendo algo que de fora parece tão absurdo? Quem se importa, estou feliz, estou aqui por opção própria então não preciso de explicações.” Foi o que pensei na hora, mas agora quero compartilhar um pouco do caminho que me levou a estar naquela sala, como instrutor e praticante desta filosofia.

Sempre fui um cara extremamente racional, procurando explicar tudo através da lógica, da razão, da observação. E em determinado momento da vida começaram a surgir aquelas questões existenciais, provavelmente naturais de todo ser humano: quem sou eu, o que devo fazer aqui, qual o sentido da minha vida? Algumas pessoas esquecem rapidamente estas questões, e continuam suas vidas sem se preocupar com elas, seguindo na direção dos ventos. Outras passam a vida buscando as respostas, através de religiões, estudos, acumulação de bens, viagens, etc. Eu com minha racionalidade segui num caminho intermediário. Defini que o sentido da minha vida seria o aprimoramento e a evolução constante, assim se esse não fosse realmente o propósito final provavelmente me levaria até ele.

O caminho escolhido era árduo, a idéia de evoluir é motivante, porém abstrata. Comecei buscando as disciplinas que mais me interessavam, lendo sobre os mais diversos assuntos, mas tudo isso sem muito empenho, os problemas diários que pareciam sem importância acabavam tomando a minha atenção, e o vento começava e me levar. Um dia descobri a ciência, através do fascinante livro Cosmos, de Carl Sagan, e decidi me dedicar à Física. Estudar as leis da natureza, o funcionamento do universo, isso parecia realmente importante. Mas algo ainda faltava. A abordagem acadêmica é limitada, não está interessada no indivíduo, e isso foi me desmotivando um pouco.

nata15Um dia, ouvindo falar sobre Yôga, e movido pela minha curiosidade, resolvi entrar numa simpática casa laranja da Universidade de Yôga, localizada na cidade de Londrina. Afinal eu tinha que descobrir o que era esse tal de Yôga.. uma moça alegre me mostrou a escola, falou um pouco sobre a filosofia, e ao final da conversa me presenteou com um pocket book, “Tudo sobre Yôga”. Qual não foi minha surpresa e alegria, quando ao ler aquele livro descobri que Yôga era uma filosofia que visava exatamente o aprimoramento pessoal, o auto-conhecimento, a ampliação da consciência. E este tipo de Yôga com que travei contato, SwáSthya Yôga, é de linhagem naturalista, não aceita misticismos, um Yôga técnico que se encaixava como uma luva ao meu propósito. No dia seguinte iniciei minhas práticas.

A história poderia ter acabado aí, melhorei tanto e em tantos aspectos desde então, que eu nem teria imaginado possível tamanho salto. Mas algo mais ainda me aguardava. Dedicar minha vida à evolução pessoal era interessante, mas parecia incompleto. Algum buraco ainda me incomodava lá no fundo, e demorei até descobrir qual era o elemento que faltava. Continuei me dedicando aos estudos desta tradição ancestral, ao mesmo tempo em que concluia meu curso de física. Fiz a formação profissional para me tornar instrutor de Yôga, como uma sequência natural. Trabalhando com isso poderia dedicar mais tempo ao que me interessava, e eu gostava muito daquilo afinal.

E foi só depois de me formar, durante um curso do prof. Ricardo Mallet, é que finalmente caiu a ficha. Não estou sozinho no mundo, de nada adiantaria me tornar a pessoa mais evoluida da face da Terra se todo o resto continuasse igual. O que nos faz pensar que o eu é mais importante que qualquer outra pessoa? De que vale um conhecimento guardado comigo? Morrera comigo e não servirá de nada. Compartilhar é fundamental, é a continuidade da evolução, é o que faltava ao meu propósito.

E são estes dois verbos que me inspiram, que movem montanhas através de mim, e que me fazem acordar 3 horas da manhã num domingo:

Yôgin

Evoluir e compartilhar.

Pessoas identificadas, uma característica fundamental

O resgate do Yôga autêntico

SwáSthya Yôga é o nome da sistematização do Yôga Antigo, Pré-Clássico, surgido a mais de 5.000 anos. Naquela antiga civilização a cultura vigente era muito diferente da atual e só podemos ter uma vaga idéia a partir dos resquícios das filosofias que surgiram naquela época, sobreviveram ao tempo e chegaram quase que milagrosamente aos nossos dias. São três as filosofias mais antigas da Índia que temos conhecimento: o Yôga, o meirelesSámkhya e o Tantra. Estas três não são contrárias umas às outras, mas possuem uma bela afinidade entre si. Sámkhya é uma filosofia teórica, com características naturalistas. Tantra é uma filosofia comportamental, de características matriarcais, sensoriais e desrepressoras. E o Yôga é uma filosofia prática, que visa o auto-conhecimento e que naquela época era embasado pelas duas outras filosofias citadas.julia

Com o passar do tempo estas filosofias foram se modificando, perdendo suas características originais. O Yôga, por exemplo, tem hoje a imagem errônea de ser uma coisa espiritual, mística, terapêutica e relaxante. Isto está muito distante de suas características autênticas, de ser uma filosofia que confere força, poder e energia a seus praticantes. E é isso que o SwáSthya Yôga vem resgatando, o Yôga como era nas origens, o autêntico Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga, forte, bonito e dinâmico.

Num ambiente completamente diferente, numa cultura patriarcal e guerreira, este resgate é um verdadeiro desafio e vem tomando praticamente toda a vida deste grande educador, DeRose, e de milhares de professores formados por ele, espalhados por todo o globo. Desde a metade do século XX, o Mestre DeRose tem se dedicado incansavelmente a este trabalho de resgate do Yôga Antigo, disseminando suas idéias dando cursos no mundo inteiro, num trabalho que se mostra como a verdadeira implantação de uma nova cultura.

heduanUma das condições para o sucesso deste trabalho é uma criteriosa seleção de público. É natural que inserido numa cultura diferente da original, a maioria das pessoas não esteja identificada com e nem consiga compreender a proposta do SwáSthya Yôga. É desejável, para não dizer essencial, que as pessoas que venham a fazer parte deste trabalho já tenham consigo determinadas características, como a capacidade de mudança de paradigmas, um alto nível de educação e cultura e outras mais.

Esta condição de trabalhar com o público selecionado é tão importante que foi sistematizada como uma das principais características do SwáSthya. Está escrito no Tratado de Yôga (1ª edição), a principal obra do Mestre DeRose, na página 101, a respeito da 4ª característica do Método:

Público Certo

É fundamental que se compreenda: para tratar-se realmente de SwáSthya Yôga não basta a fidelidade ao método. É preciso que as pessoas que praticam sejam o público certo. Caso contrário estarão tecnicamente exercendo o método preconizado, mas, ao fim e ao cabo, não estarão professando o Yôga Antigo. Seria o mesmo que dispor da tecnologia certa para produzir um determinado tipo de pão, mas querer fazê-lo com a farinha errada…”

marcosA seguir o próprio DeRose lembra que somos contra qualquer tipo de preconceito ou discriminação e que esta característica não tem nenhuma relação com isso. Trata-se apenas de especialização, de focar num determinado público para o qual este Yôga se encaixa perfeitamente, o público para o qual este Yôga foi feito, nada além disso. Na última frase DeRose faz menção à Parábola do Croissant, que nos serve muito bem para ilustrar a importância de se trabalhar desta forma. Você pode fazer um croissant minuciosamente de acordo com a receita, mas se o principal ingrediente não estiver certo, o resultado será decepcionante. E assim é com o SwáSthya Yôga, se as pessoas que praticam não forem as pessoas certas não adianta, pode até ser Yôga, mas não será o legítimo Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga.